Serrote - Vol.46

DIVERSOS AUTORES
IMS EDITORA

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O novo número da revista traz textos de autores como Zambra, Hilton Als, Djaimilia Pereira de Almeida e Roland Barthes. Destaque desta edição, “Conto de natal” é um relato entre o ficcional, o memorialístico e o ensaio, no qual Alejandro Zambra (1975) narra, de forma bem humorada, a relação de amizade com o seu editor. “Agora sei que um editor é uma espécie de irmão mais velho, que nos educa, protege e reprime, ou talvez, propriamente, um segundo pai, que nunca deixamos de querer bem, respeitar e temer, mesmo que depois o desafiemos”, escreve o autor chileno. A serrote #46 publica ainda um ensaio do filósofo francês Roland Barthes (1915-1980), sobre a obra de Saul Steinberg (1914-1999). No texto, intitulado “All except you”, o autor analisa aspectos da produção do artista, como o papel da representação e a presença de elementos constantes, como as máscaras e os gatos A publicação traz também o ensaio “Minha pinup”, do crítico norte-americano Hilton Als (1960), uma das principais referências na crítica queer. O escritor retoma a carreira e obra de Prince para refletir sobre gênero, negritude, poder e indústria cultural, temas frequentes em sua produção. A escritora Djaimilia Pereira de Almeida (1982), nascida em Angola e radicada em Portugal, assina o ensaio “A condição sem nome”. A partir de memórias familiares, a autora analisa os usos e significados do termo “mulata”. “Estará o problema não na palavra “mulata”, que abomino, mas no facto de que não há lugar no mundo para a (minha) raça ambígua? [...] Que fazer, se nem uns nem outros me aceitam como parte da tribo — branca não serei nunca, negra a sério muito menos?”, indaga a autora. A linguagem também está no centro do ensaio “´Pretagogias”, da artista visual e professora Andréa Hygino (1992). A partir de memórias da infância, com a mãe professora no subúrbio do Rio de Janeiro, e de uma residência artística em Joanesburgo, Hygino reflete sobre o papel da linguagem e dos sistemas de ensino como forma de dominação, mas também sobre as possibilidades de levante e valorização de novos saberes, no contexto dos movimentos estudantis e das culturas afrodiaspóricas. Em “Desapropriação para principiantes”, a autora mexicana Cristina Rivera Garza (1964) investiga os processos de escrita e as tensões entre experiência individual e coletiva. “A figura solitária do autor, com suas práticas de devorador e seu estatuto de consumidor genial, encobriu a série de relações complexas de intercâmbio e compartência, a partir das quais são geradas as diferentes formas de escrita que, depois, ele assina como suas”, escreve. A edição também publica dois textos que conquistaram menção honrosa na última edição do concurso de ensaísmo serrote. Em “Apontamentos para costurar mortalhas”, Douglas Santana Ariston Sacramento (1993), doutorando na Universidade Federal da Bahia, reflete sobre as representações da morte e o papel da literatura negra em criar espaços dignos de luto, “dando conta de tantos corpos que tombam diariamente em solo brasileiro”. Já o pesquisador, dramaturgo e escritor kulumym-açu (1995), originário do mangue do rio Siará-Mirim, assina o ensaio “Era possível anoitecer como velhim e acordar como curumim”, no qual une a arte da contação de histórias com reflexões sobre os resquícios da dominação colonial e a potência dos saberes ancestrais. A escritora e pesquisadora Elvia Bezerra (1947), por sua vez, parte de memórias pessoais, da lembrança de um namorado de infância até uma ida recente ao médico, para refletir sobre como a experiência da surdez intriga pensadores, marcando músicas e poesias. Esta edição traz ainda o ensaio visual “O suplício de Cabral”, do artista Thiago Rocha Pitta, além de trabalhos de Saul Steinberg, Lidia Lisbôa, Rodrigo Cass, Alisson Damasceno e Vivian Caccuri.