Feminismos. Citação


URUTAU EDITORA

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Feminismos. Citação mexe-nos por dentro. É interpelação constante — da autora, das personagens e nossa. Quem pense que pode marcar a página e voltar no dia seguinte, que desista. Não há alternativa senão entrar. A interpelação sobre o que é ser mulher, atriz, precária, feminista é exigente. E pode ser transgressora. Onde estamos? Como vamos ficar? Que feminismo nos guia e nos inspira? O que construímos juntas? Ainda vale? Ao responder, o texto arrisca a transgressão. Então, as melhores referências podem ser questionadas? O feminismo poderá ser uma canseira, uma carga nas costas de cada uma de nós? E que pensaria Virginia Woolf daquele quarto? O lugar onde se misturam o mobiliário parco, a alimentação racionada das gatas, mas também a carreira, a maternidade, a roupa suja. Há ironia, ainda, sobre a realidade de quem trabalha no meio artístico, e há sonho sobre o que ela poderia ser. Há humor até quando as mais reputadas intelectuais podem ser interpeladas, ou quando o lar — que acantonou durante séculos as mulheres, invisibilizando-as no espaço público — é dissecado sem piedade. Mas no rodopio de todas as dificuldades e dúvidas não há nem derrota nem desesperança. Há superação. Não só porque a vida privada de duas mulheres é assumida na sua total dimensão política, e o quotidiano de resistência e frustrações exibido e questionado sem pudor, mas porque a convocatória é para o dia seguinte — para a esperança e para a luta.
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