Rumores


URUTAU EDITORA

65,00

Sob encomenda
8 dias


Rumores. Como seu título indica, esta coletânea de narrativas faz zoada. Mas quem diz zoada, não diz balbúrdia, tampouco desordem. Se a paisagem sonora do nosso agonizante império vai cada dia mais confusa, é de batuta e partitura na mão que Diogo Santiago a penetra. Ainda que as claves e colcheias desta composição tenham o traço de um compositor assombrado pela brevidade da frase e pela clareza da conjugação, sentimos agora um literato compelido pela aceleração da crise das relações interpessoais a dar à língua outras vibrações, ainda desconhecidas. Com a leitura desta obra, temos a impressão de uma pluma a cada texto mais madura, e a cada dia mais perturbada: tanto pela invasão da dignidade pela máfia das bets, pela corja dos eclesiásticos, pela matilha das milícias, quanto pelo empobrecimento da língua que dessas invasões resulta. Sentimos mesmo que, por trás dos pretextos narrativos de Santiago, há toda uma sinfonia de apetrechos – retóricos e literários – em torno da luta de classes. Em outros termos, Rumores é a conversão em ficção de uma série de intersecções (mais ou menos curtas, mais ou menos longas) entre a urgência do mundo e a urgência da língua. Autodefesa política e invenção retórica: em Rumores, o compromisso de Santiago com a língua da literatura se exprime, em suma, tanto na oscilação entre o espirrado e o ruminado na resenha dos acontecimentos da vida, quanto na harmonia entre precisão gramatical e fluidez narrativa. O sexto livro desse prolixo autor recifense é portanto uma incitação formal à invenção de novos usos dos nossos rodados instrumentos literários e à escuta da língua com outros ouvidos. Rumores: textos-cotonetes ou textos-aspiradores? Só a leitura te dirá.
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