O Escravo Que Adorava Caviar

REED, ISHMAEL
ERCOLANO EDITORA

82,70

Pré venda
03/11/2026


Andy Warhol ajudou a transformar Jean-Michel Basquiat em um dos maiores artistas de sua geração, ou foi Basquiat quem injetou sangue novo na carreira de Warhol? A quem interessa que a história dos dois seja contada de um modo, e não de outro? É desse território de suspeita que Ishmael Reed parte em O escravo que adorava caviar, peça de teatro publicada nos Estados Unidos em 2023 e lançada agora no Brasil pela Ercolano, com tradução de Rafael Mantovani e posfácio do curador e pesquisador Leandro Muniz. A trama começa como uma investigação. Duas peritas forenses examinam a parceria entre Basquiat e Warhol, e levantam hipóteses sobre as formas de exploração, materiais e simbólicas, que poderiam ter acontecido nesta relação. Ao mesmo tempo, uma história de filme B toma o palco: o Barão De Whit, filho do conde Drácula, precisa de sangue novo para alimentar a si mesmo e as suas criações. A coincidência não é inocente. Reed faz do vampirismo uma imagem grotesca do mercado da arte, sempre à procura de novidade, juventude e talento dos quais possa se alimentar. Documentos, rumores e invenção convivem numa dramaturgia satírica, de estética deliberadamente kitsch, em que o humor e o absurdo desnaturalizam o que parecia estabelecido. Há um julgamento em curso, mas não há juiz. Ao questionar a fabricação da própria história da arte, Reed provoca uma discussão que continua atual. O que acontece quando um artista negro deixa de ser apenas artista e se torna, ao mesmo tempo, mito, mercadoria e marca? “GRACE (Lê da prancheta.) A relação entre Andy Warhol e Basquiat parecia mais a relação entre um primatólogo e uma criatura do que entre dois pintores.” O escravo que adorava caviar , p. 54
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