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Arqueologia Das Dores
EDITORA REFORMATORIO
64,00
Sob encomenda 8 dias
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Arqueologia das dores é, antes de tudo, um livro plural. Partindo de uma narrativa fragmentada, a alternância de vozes muito bem construída nos permite acompanhar a história a partir da versão de cada um dos três narradores. Versão esta que não é pura, nem isenta, mas atravessada pelas dores e experiências desses personagens que resistem em se deixar classificar. “Não nos lembramos das mesmas coisas e detalhes, é claro. Cada um vê o mundo com seus próprios olhos, pensa com sua própria cabeça.” A frase anuncia o descompasso que permeia a obra. Enquanto Maria Lúcia insiste em abrir gavetas e cavar o passado, Beto resiste ao excesso de palavras. A participação de Lurdes, mãe e sogra, em um momento em que sua memória está em deterioração, mistura lembrança e delírio e transforma a escavação em urgência. O que cabe em tudo o que não foi dito? O silêncio aqui é abrigo e ameaça. A narrativa se desenrola em camadas, como se cada gesto revelasse um vestígio ainda não elaborado. Lia d’Assis conduz essa polifonia com firmeza, sem perder unidade. O texto é direto e intenso. Escava dores, mas também revela afetos e contradições. Um romance que convida o leitor a cavar junto, a ouvir o que foi calado e a percorrer essas camadas até o fim.
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