Quilombolar-Se Na Amazônia


APPRIS EDITORA

98,00

Pré venda
30/11/2026


São muitos, instigantes e problematizadores os argumentos desenvolvidos na tese, formando uma trama com pontos e nós que ligam e atam diferentes fios coloridos, simbólicos e expressão de um escrever-sentir-pensar de Ellen Silva Yansà. Sua obra se situa na trilha de outros intelectuais, mulheres e homens de vários territórios, que procuram entender os processos de formação da classe trabalhadora e suas lutas por outras hegemonias anticapitalistas na nossa América Latina, em que o comum e o coletivo sejam pilares da sociedade, para todos e todas, do bem viver. Ellen Silva Yansà, em ousado e consistente trabalho, nos ajuda a entender melhor que passado e presente de nossos povos ancestrais revelam estruturas de sentimento (Raymond Williams) do comum e do coletivo, encarnadas no trabalho como valor de uso, que são fundamentais para acertarmos nossos passos teóricos e práticos como classe trabalhadora alargada que se faz arraigada nos nossos, muito vivos, territórios latino-americanos. Tudo isso em movimento; ou seja, quilombolar-se, como Ellen Silva Yansà nomeia esta particularidade do fazer-se classe trabalhadora como experiência que vai acontecendo em processo de luta de classes em que a unidade do diverso é desvelada no diálogo atento com os participantes da pesquisa – entendidos aqui para além dos “imediatamente” participantes; compreende seus companheiros de jornada reflexiva como resultado e constituidores de sua história que vem de muito longe. A categoria historicidade lhe acompanha ao longo de seus argumentos; atenta aos ensinamentos de E P Thompson. A leitura do Quilombolar-se na Amazônia é um mergulho em águas densas, coloridas e movimentadas do fazer-se da classe trabalhadora alargada que denuncia tempos de capitalismo profundamente destrutivo das relações seres humanos-natureza e, ao mesmo tempo, anuncia novos tempos historicamente enraizados no Ubuntu (eu sou porque nós somos), Minka (trabalho coletivo), no valor de uso do trabalho e de relação construtiva entre ser humano e natureza. Boa leitura, de preferência sem pressa.
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